O início no Brasil é marcado pela proibição da modalidade durante o Estado Novo

Por Beatriz Carrilho e Paula Ferro

Há 78 anos, em 14 de abril de 1941, o governo Vargas publicou um decreto-lei que proibia mulheres de praticarem esportes “incompatíveis com a natureza feminina”, entre eles o futebol. Assinado durante o Estado Novo, o decreto 3.199/1941 é o primeiro marco da história do futebol feminino no Brasil. De acordo com a historiadora Aira Fernandes Bonfim, a efervescência do futebol feminino do subúrbio carioca foi o principal estopim para a origem da lei. Da proibição a exibições em circos, as mulheres enfrentaram desafios para conseguir respeito, estrutura e visibilidade para a categoria.

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As dificuldades que as jornalistas ainda enfrentam no mundo do futebol

Por Ana Clara Andrade

Constância Garcia e Carolina Oliveira, duas jornalistas que trabalham diariamente com o esporte, descrevem a rotina dentro do universo esportivo como complicada e desafiadora. Isso porque precisam provar o tempo todo que merecem estar ali. Um dos principais motivos para isso acontecer é o machismo, presente diariamente na vida das mulheres.

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Proposta para diminuição de campo e gol mitiga falta de investimento na base

Por Helena Carmona e Pyetra Santos

Durante toda a temporada, o 1,67 metro de Renata Maria Sant’anna compete com os 2,44 metros de altura do gol que defende. Mas a maior dificuldade que a goleira do Flamengo/Marinha enfrentou ao longo da carreira foi a falta de oportunidades. Renata, conhecida nos gramados como Kaká, só ingressou em uma escolinha de futebol aos 15 anos e apenas aos 22 começou a jogar campeonatos oficiais. Para ela, o início tardio é o principal empecilho do sucesso do futebol feminino, e não a manutenção de tamanhos iguais para campo e gol nas modalidades de ambos os sexos.

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As diferenças entre o futebol feminino e o masculino vão além do campo

Bandeirinha aparece em foto que viralizou na internet (Foto: Divulgação)

Por Larissa Oliveira

A bandeirinha alagoana Raquel Barbosa, 29 anos, ficou conhecida após uma foto sua cercada por jogadores homens tentando a intimidar viralizar nas redes sociais. Raquel estava em campo no jogo do CSA contra o Murici. A cena virou um símbolo do machismo que persegue a presença feminina em campos. Quatro meses depois, a bandeirinha minimiza o assédio:

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Educação Física nas escolas reproduz preconceito sobre futebol feminino

Publicada no blog da jogadora Luiza Travassos Fut, no site da ESPN Brasil.

Por Lara Lacerda e Tatiana Barbosa

Wagner Victer, ex-secretário estadual de Educação do governo de Luiz Fernando Pezão, afirmou que a discriminação e a desvalorização da prática do futebol por mulheres são um preconceito que vêm desde a base da formação das crianças. Segundo ele, a segregação do esporte pelo gênero é uma questão cultural que perpassa inicialmente o próprio lar e reflete diretamente no ensino nas escolas. O professor de educação física Rafael Souza reitera que apesar de não existir limitação oficial da prática do futebol feminino nos colégios, ainda há uma divisão por tipos de esportes, como o queimado para as meninas e o futebol para os menino, mas que isso tem mudado com o surgimento de novas práticas para oportunizar o público feminino.

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Torcidas organizadas femininas ajudam mulheres a encontrar independência

Por Pedro Montenegro

A universitária Janaina Pinto encontrou nas arquibancadas uma saída para anos de um relacionamento de dependência financeira e emocional. Vice-presidente da Força Feminina Colorada (Internacional), Janaina vê na torcida feminina um local de acolhimento para mulheres.

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Estigmas estéticos persistem no futebol feminino

Por Igor Meireles

Apesar da vasta experiência no futebol, Tcheury Goya admite passar ainda por alguns preconceitos. “Infelizmente ainda olham muito para nossa aparência e sempre exaltam primeiro a beleza antes da qualidade futebolística”, contou ela. “Há muitas pessoas que olham muito para a nossa aparência e se referem assim: ‘nossa, ele é linda e ainda joga futebol’, o certo seria: ‘ela joga demais, tem qualidade e ainda é linda’”.

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Ettie empoderada, um novo olhar sobre a mulher na Copa do Mundo

Por Alex Braga

“Uma jovem galinha com paixão pela vida e pelo futebol” é como a Fifa descreve “Ettie”, a mascote da Copa do Mundo Feminina de 2019.  Ela não é meiga e frágil; mas empoderada, isto é, com atitude, aquela que banca as suas escolhas. Ettie vem de uma linhagem de personagens esportivos, pois é a filha do galo “Footix”, símbolo da Copa da França de 1998. Ao conhecê-la, percebe-se como as personagens femininas são pouco representadas nos símbolos dos principais campeonatos esportivos.

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Futebol feminino dribla obstáculos e atrai mercado

Por Henrique Oliveira

Para Renata Mendonça, uma das idealizadoras do Dibradoras, projeto considerado como a principal voz das mulheres em todas as áreas do esporte no Brasil, o futebol feminino ganhou maior notoriedade a partir do momento em que o mercado decidiu se comunicar diretamente com a mulher. Desta forma, segundo a jornalista, o futebol feminino deixou de ser mero coadjuvante de negócios para se tornar protagonista de seu próprio mercado.

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Casos oficiais encobrem a proporção real de assédio nos estádios de futebol

Por Núbia Trajano

Há um contraste entre o número de mulheres que dizem já ter sofrido algum constrangimento nos estádios, comparado as que fazem a denúncia oficialmente. O promotor do Estatuto do Torcedor, Rodrigo Terra, afirmou que, em princípio, é mais complexo identificar apenas no gênero a causa do assédio que se dê em ambiente de torcida.

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