Por Igor Meireles
Apesar da vasta experiência no futebol, Tcheury Goya admite passar ainda por alguns preconceitos. “Infelizmente ainda olham muito para nossa aparência e sempre exaltam primeiro a beleza antes da qualidade futebolística”, contou ela. “Há muitas pessoas que olham muito para a nossa aparência e se referem assim: ‘nossa, ele é linda e ainda joga futebol’, o certo seria: ‘ela joga demais, tem qualidade e ainda é linda’”.
Por outro lado, a jogadora reconhece que a aparência é parte do jogo. “Atletas em clubes como Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras, querendo ou não, estão em mais evidência e estão sempre cuidando da sua imagem”. E acrescentou:
– A figura da mulher jogando futebol era muito masculinizada, hoje já olham de outro jeito. Ainda há alguns comentários maldosos, mas sempre buscamos a evolução e as pessoas que realmente observam o nosso trabalho.

Antes de ser contratada pelo time europeu Spartak Subotica, da Sérvia, a meio-campista Tcheury Goya já tinha marcado presença no futebol feminino. Representada pela associação Desportiva Embu das Artes, a jogadora disputou o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, além do Paulista, marcando, neste, três gols como artilheira. Teve passagem no Santos, Porto Velho, São Vicente, Taubaté, São Bernardo e São José do Rio Preto, o último antes da decisão de jogar para a Sérvia.
Tcheury, mais conhecida como “japinha”, nasceu em Santos, litoral paulista. Pertence à agência CSE Players e foi considerada destaque do Embu das artes jogando como atacante (ponta-esquerda). Seu último desafio, a Champions League pela equipe servia Spartak Subotica. Apesar de não ter levado o prêmio, o time ficou em boa colocação, no segundo lugar.
O futebol ainda é masculinizado, técnica e esteticamente. Essa visão estereotipada é um desafio que afeta não apenas as jogadoras como as mulheres em geral. Vale ilustrar com a declaração do coordenador de futebol feminino da CBF, Marco Antônio Cunha, ao jornal canadense Globe and Mail, sobre o que ele considera ser um problema para as jogadoras:
– Agora, as mulheres estão ficando mais bonitas, passando maquiagem. Elas entram de campo mais elegantes. O futebol feminino costumava copiar o futebol masculino. Mesmo o modelo do uniforme era mais masculino. Costumávamos vestir as garotas como homens. Então, faltava ao time um espírito de elegância, feminilidade. Agora, os shorts estão mais curtos, os penteados estão mais bem-feitos. Não é uma mulher vestida como homem.

Sobre casos como esse, Monica Hickmann Alves, defensora do Corinthias, declarou: “Nunca me cobraram pela aparência. O que me cobram é desempenho, entrega em campo, técnica, preparo físico, preparo mental”. E complementou que o relevante para o futebol feminino é que ele seja valorizado e siga em evolução.