Por Alex Braga
“Uma jovem galinha com paixão pela vida e pelo futebol” é como a Fifa descreve “Ettie”, a mascote da Copa do Mundo Feminina de 2019. Ela não é meiga e frágil; mas empoderada, isto é, com atitude, aquela que banca as suas escolhas. Ettie vem de uma linhagem de personagens esportivos, pois é a filha do galo “Footix”, símbolo da Copa da França de 1998. Ao conhecê-la, percebe-se como as personagens femininas são pouco representadas nos símbolos dos principais campeonatos esportivos.
A escassez de personagens femininos só reforça o imaginário preconceituoso de que o esporte é coisa de homem. A ausência é percebida no histórico dos grandes torneios. Nas Copas do Mundo de Futebol Masculino, por exemplo, sempre foram presentes os ícones viris. A exceção da feminilidade está nas Olimpíadas de Atenas, em 2000, e Londres, em 2012, com personificação de elementos da fauna local; mesmo assim, por que essas edições tiveram um grupo de representantes.
Para Raquel Fukuda, coordenadora de produção da Agência Birdo, empresa que elaborou os mascotes da Rio2016, o objetivo inicial era fazer personagens sem gênero para que todas as crianças se vissem representadas neles.
– A começarmos a produção dos mascotes não queríamos nada estereotipado. Então, eles não teriam gênero. Eles só receberam a identidade masculina por causa dos nomes, que foram dados em uma votação no programa Fantástico. Tem crianças que pensam que o Tom, o mascote das paraolimpíadas, era uma menina por causa do seu cabelo.
Raquel ainda afirmou que a tendência da representatividade nas animações é positiva, pois há um grande número de mulheres chegando neste mercado atualmente.
– Quando cheguei na área, há dez anos atrás, o setor era dominado por homens. Pouquíssimas mulheres trabalhavam na animação. Hoje o cenário é melhor, eu sou exemplo disso, pois ocupo um cargo de liderança na empresa. Tenho esperança, pois cada vez mais vejo mulheres presentes no mundo da animação.
Marcos Amarante de Almeida Magalhães, coordenador da pós-graduação em Animação do Departamento de Design da PUC-Rio e fundador e diretor do Festival Anima Mundi, interpreta que a ocupação dos espaços por mulheres é necessária, mas salientou alguns avanços nesse esforço:
– A primeira animação da história teve por protagonista uma mulher, a Branca de Neve, isso comprova que já temos o caminho, cabe a nós aprofundar ainda mais o percurso. É missão de todos lutar por mais mulheres na criação de animação, porque só temos a lucrar com a pluralidade.
No cenário nacional, o Esporte Clube Bahia apresentou, durante o Campeonato Brasileiro de 2014, seu mais novo mascote, a “Lindona”, que é uma mulher negra. Segundo o funcionário do Departamento de Comunicação do time André Freire a “mascota” surgiu para representar a diversidade da torcida.
– O Bahia é um time de todos. Homens mulheres e negros são bem-vindos. A partir disso, que houve a necessidade de criar a “Lindona do Bahia”. A mulher precisa ter o seu lugar no futebol brasileiro, e a mascota é uma forma de suprir essa lacuna.
Outro personagem que fez sucesso recentemente foi o “Canarinho Pistola”, uma sátira ao canarinho símbolo da seleção. Mascote da Copa do Mundo de 2018, o mascote era um estereótipo de um machão raivoso. Para alguns torcedores, as feições raivosas expressam o descontentamento do 7 à 1 da Copa de 2014. Freire afirmou que o “Canarinho Pistola” é um retrato dos torcedores com a seleção.
– Concordo que o “Pistola” pode ser um estereótipo do machão brasileiro, mas ele é fruto do que foi a Copa de 2014, a derrota de 7 à 1.










