Para uma modalidade que chegou a ser proibida no Brasil, os avanços até a heroica eliminação para a França por 2 a 1 no Stade Oceàne, em Le Havre, foram significativos. Em 2019, ano da oitava edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, a Confederação Brasileira de Futebol passou a exigir de todos os clubes da Série A do Brasileirão, a criação de times de futebol feminino nas categorias de base e de adulto. Nas arquibancadas crescem as torcidas organizadas femininas, enquanto as empresas patrocinadoras começam a enxergar nas mulheres em campo uma oportunidade para bons negócios.
Mas ainda há muito o que fazer. Resistências associadas ao machismo são obstáculos que desaceleram a caminhada do futebol feminino ao lugar de paixão nacional, como é o masculino. No fim do jogo, após a derrota para a seleção anfitriã, Marta, a maior artilheira da história das Copas – com dezessete gols no currículo – e eleita melhor jogadora do mundo por seis vezes, deixou o recado. “Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane. O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim.”
Em reportagens exclusivas, estudantes da turma 2IB de “Redação em Jornalismo Impresso”, da PUC-Rio, mostram que, apesar das conquistas, muitos são os desafios a serem superados. A história do futebol feminino no Brasil, desde a origem nos circos, a proibição por lei no governo Getúlio Vargas até a regularização do esporte; a invisibilidade simbólica do futebol praticado por mulheres; os estigmas estéticos sofridos pelas jogadoras no futebol feminino; a desigualdade salarial entre jogadores homens e jogadoras mulheres, a baixa de estrutura das equipes de base e a falta de profissionalização da categoria; as dificuldades que as mulheres enfrentam para participar de todas as atividades de uma torcida organizada; a independência que as mulheres conseguem ao participar de torcidas organizadas femininas.
O futebol nas comunidades representado por um grupo de meninas no Cantagalo, em Niterói; a realidade das jornalistas que sofrem diariamente com o machismo no mundo do esporte; o preconceito ao futebol feminino reforçado pela educação física nos colégios; o imaginário machista e a quase ausência de representação feminina nas mascotes; o impacto das novas regras da Conmebol e da CBF no futebol feminino brasileiro; a ascensão do futebol feminino e o seu reconhecimento como um mercado em potencial.